É preciso “plantar” pássaros!

Segue importante trecho de um dos livros de Johan Dalgas Frisch: Aves brasileiras e as plantas que as atraem, ressaltando a importância da preservação ambiental:

“Confesso que, a essa altura de minha vida, aos 75 anos, talvez esse seja meu último livro. Tenho uma certeza: ofereci o melhor de mim a esse Brasil que tanto amo. Também confio plenamente no vigor de nossa juventude para dar continuidade a essa luta. Luta que com outros companheiros travamos para garantir o estudo sério e a preservação de nossa avifauna, a mais rica, bela e detentora das vozes mais espetaculares do nosso planeta. Aproveito este espaço para avisar a todos que há uma pedra – aliás, muitas delas! – no meio do caminho daqueles que amam e querem ver preservadas as nossas maravilhosas aves.

Para começar, o uso de organismos transgênicos na agricultura. As plantas e sementes geneticamente modificadas, mais resistentes ao ataque de ervas daninhas  pragas, é sem dúvida uma tecnologia prejudicial às aves silvestres que vivem dentro e nas proximidades de lavouras. Vou explicar o por quê. Viajei recentemente à Europa e aos Estados Unidos, onde pude constatar o desaparecimento de muitas espécies de aves, justamente nas fazendas que adotaram plantações transgênicas e o uso de herbicidas e inseticidas de última geração. Ambas as práticas são responsáveis pela extinção de cerca de 90% da população de aves silvestres, segundo estudos realizados nessas localidades.

Na verdade deixo claro que o que tem motivado a queda tão drástica no número de aves em fazendas europeias e dos EUA não são propriamente as culturas transgênicas são, sim, seus efeitos. Essas plantações eliminam por completa as ervas daninhas e outros predadores naturais, o que resulta em diminuição drástica na oferta de alimentos para os pássaros. Portanto, os transgênicos são um ótimo negócio para os fazendeiros, mas uma péssima notícia para as aves. Pois sem as ervas daninhas, a avifauna transforma-se num verdadeiro exército de famintos.

São tão visíveis e graves as consequências e feitos dessa nova realidade sobre as populações de aves e pássaros que habitam em fazendas, que só resta um caminho aos produtores rurais que prezam pela qualidade de vida: eles precisam também “plantar” em suas propriedades Sabiás, pintassilgos, papacapíns, bigodinhos, codornas, inhambus e tantas outras espécies.

Para se “plantar” Sabiás, e muitas outras espécies, há a necessidade de os fazendeiros, reservarem áreas livres de transgênicos para o cultivo do capim-amargoso, marmelada, colonião, etc., além de árvores, que funcionam como um restaurante para as aves que se alimentam de sementes.

Os pomares também não podem ser esquecidos nessas áreas reservadas. Amoreiras, pitangueiras, jabuticabeiras, entre outras, são bem-vindas.

O importante é criar um ambiente com uma flora bem diversificada, abrigando nessas áreas livres de transgênicos embaúbas, caneleiras, mataíbas, gussatongas, palmitos silvestres, crindiuvas, marianeiras, capins e toda uma variedade vegetal que produz sementes em abundância, sempre muito apreciadas por aves como o tiziu, coleirinha, bigodinho, codorna e inhambus.”

Escrito por Johan Dalgas Frisch em: Aves brasileiras e as plantas que as atraem.

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